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Polícia indicia vigilante por participação na morte de ex-PM em São Sebastião

O assassinato de Lelo chocou os moradores pelos requintes de crueldade e pelo fato da vítima não ter chances de defesa

A Polícia Civil de São Sebastião indiciou o funcionário público Robson Souza, 46, conhecido como “Kero Kero”, pela morte do arquiteto e ex-policial militar Wesley Augusto Sant´Ana, 39, o Lelo, como era chamado pelos amigos. O homicídio, que chocou os moradores pelos requintes de crueldade e pelo fato da vítima não ter chances de defesa, ocorreu na madrugada do último dia 6, enquanto o arquiteto dormia no sofá em sua residência, localizada no bairro Topovaradouro.

Souza, que é vigilante patrimonial da prefeitura, prestou depoimento pela segunda vez na tarde desta quarta-feira, 31, no 1º Distrito Policial de São Sebastião. Ela já havia sido ouvido em 8 de outubro, quando teve seu celular apreendido. Segundo o delegado Vanderlei Pagliarini, que conduz o inquérito, o indiciado manteve-se em silêncio e foi acompanhado por uma advogada. O caso está sendo investigado, em princípio, como roubo seguido de morte, já que dois celulares e duas pistolas da vítima foram levadas.

Mas no decorrer das investigações, a polícia levantou provas suficientes que colocam o acusado na cena do crime. Diversas câmeras de vigilâncias de residências e do Centro de Operações Integradas (COI) da prefeitura flagraram o carro de Souza chegando às 22h20 do dia anterior ao crime (5) e saindo às 2h25 do dia 6. As imagens também mostram um vulto passando por um barranco localizado ao lado da casa da vítima.

Além disso, manchas de sangue foram detectadas, por meio de reagente químico, no tapete do carro do acusado. Exames de DNA foram colhidos com familiares da vítima para saber se o material é compatível com o DNA do arquiteto. O carro foi localizado em uma oficina mecânica de Caraguatatuba, uma semana depois.

Motivação passional

O delegado acredita que o crime pode ter motivação passional, com interesse financeiro, uma vez que o acusado era amigo da vítima e frequentava sua casa. Pagliarini afirmou que Robson Souza deletou as mensagens do aplicativo WhatsApp do celular logo após o dia do crime.

“Ele disse que o aparelho telefônico havia caído e que, por este motivo, o programa teria se desinstalado”. Mas a perícia recuperou diversas trocas de mensagens entre o acusado e a esposa do arquiteto, que também foi ouvida na tarde desta quarta-feira, 31. Na saída da delegacia, ela não quis se manifestar à reportagem.

Prisão

O delegado Vanderlei Pagliarini afirmou que não solicitou a prisão do acusado, pois ele não oferece risco de fugir. “Apesar dos comentários em toda a cidade, ele permanece circulando normalmente. Também não há riscos dele interferir nas investigações, pois todas as provas necessárias para o inquérito já foram colhidas e as provas técnicas, como a quebra de sigilo telefônico, por exemplo, não tem como interferir também”.

O delegado disse que irá aguardar a autorização judicial para a quebra do sigilo telefônico de Souza para, a partir daí, ver qual rumo dar às investigações. Caso o acusado seja preso e, posteriormente ir à julgamento e condenado, poderá pegar de 20 a 30 anos de prisão pelo crime de roubo seguido de morte. A reportagem não conseguiu localizar o acusado e nem sua advogada para comentar as acusações.

Crime chocou moradores de São Sebastião

A morte de Wesley Augusto Sant´Ana chocou os moradores da cidade. Além de arquiteto e ex-policial militar, Lelo foi presidente do Rotary Club e era chefe da Divisão de Obras Particulares da prefeitura.

Lelo estava prestes a inaugurar nos próximos dias uma startup no ramo imobiliário, projeto que vinha sendo elaborado há ao menos um ano.

De acordo com o boletim de ocorrência, a esposa dele disse à polícia que dormia com uma de suas filhas em seu quarto, no andar superior da casa, enquanto Lelo estaria na sala, localizada no andar térreo.

Ela disse que por volta das 3h, teria ouvido fortes ruídos, mas que chamou um vizinho, pois estaria com medo de descer. O vizinho foi até a casa e encontrou o arquiteto caído no sofá com ferimentos na cabeça. A Polícia Militar e o Samu foram acionados, mas a vítima já estava sem vida.

O delegado Vanderlei Pagliarini disse que não descarta a participação de uma segunda pessoa na execução do crime, já que a vítima tinha porte atlético, era forte e treinamento militar.

De acordo com familiares da vítima, com base em informações repassadas pelo médico legista, Lelo teria recebido golpes de pelo menos três tipos de objetos, todos na cabeça, que poderiam ser picareta, paulada, machado ou picareta, além de estrangulamento no qual pode ter sido utilizado um cabo de aço.

Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, foram levados dois telefones celulares do arquiteto e duas pistolas. Ele deixou a esposa e duas filhas gêmeas.

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